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NÃO ao TFFF, SIM aos direitos das florestas

Declaração de Organizações da Sociedade Civil sobre o Lançamento do
Fundo para Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)

Belém, novembro de 2025

Estañol / Portugués / Ingles / Bahasa Indonesia

Formulário para assinatura: https://forms.gle/RaaD3Wti9KhJuUuR6

Organizações da sociedade civil brasileiras, amazônicas, asiáticas, africanas e internacionais, reunidas por ocasião da COP 30, expressam sua profunda preocupação e rejeição ao lançamento do Fundo para Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), anunciado pela Presidência da Conferência, pelos seguintes motivos:

  1. O TFFF considera, de forma equivocada e enganosa, o desmatamento como uma falha de mercado que será resolvida atribuindo-se um preço aos serviços ecossistêmicos das florestas tropicais para atrair investimentos privados. O colapso ecológico causado pelo capitalismo não será resolvido com mais capitalismo.
  2. O TFFF não reconhece as florestas como sistemas vivos que têm direito à vida, à preservação de seus ciclos de vida, à manutenção de sua capacidade de regeneração, à não poluição, à conservação de sua integridade e à exigência de remediação e restauração em tempo hábil.
  3. O TFFF não busca abordar as verdadeiras causas estruturais da destruição florestal. Não propõe medidas eficazes para conter e reverter a agricultura, a mineração e a extração de hidrocarbonetos, nem a expansão de megaprojetos de infraestrutura.
  4. O TFFF funcionará como qualquer banco comercial: obtendo empréstimos de US$ 125 bilhões a uma taxa de juros de aproximadamente 4% e emprestando esse dinheiro a uma taxa de aproximadamente 7%. Com a diferença entre essas taxas de juros, pretende gerar US$ 4 bilhões anualmente para distribuir US$ 4 por hectare de floresta em pé aos governos dos países onde se localizam 1 bilhão de hectares de florestas tropicais.
  5. O TFFF é um mecanismo para privatizar o financiamento florestal. Se apenas 1% dos US$ 2,7 trilhões em fundos públicos gastos em orçamentos de defesa em todo o mundo fossem alocados, US$ 27 bilhões poderiam ser disponibilizados anualmente. Isso é mais de seis vezes os US$ 4 bilhões por ano que o TFFF geraria com base em mercados de ações instáveis!
  6. O TFFF não prioriza os povos indígenas e as comunidades locais, nem estabelece equidade de gênero e intergeracional na alocação de recursos. 80% dos US$ 4 por hectare serão destinados aos governos nacionais, enquanto apenas 20% (80 centavos) irão para aqueles que de fato defendem e preservam as florestas tropicais.
  7. O TFFF não é um mecanismo originado no Sul Global, nem foi construído desde o início com a participação dos povos florestais. A ideia para esse mecanismo de financeirização da natureza foi concebida há mais de 15 anos no Banco Mundial, portanto, não se trata de um mecanismo liderado pelo Sul.
  8. O Banco Mundial terá grande influência sobre o TFFF. Os países ricos que patrocinam esse mecanismo deterão a maioria em seu conselho. Os países em desenvolvimento e a sociedade civil não terão poder de decisão na governança do TFFF.
  9. A rentabilidade do TFFF não é garantida e, em caso de queda nos lucros, os pagamentos serão feitos primeiramente aos administradores e consultores do fundo, em segundo lugar aos investidores privados, em terceiro lugar aos países ricos patrocinadores e, em quarto lugar, aos países com florestas tropicais. Assim, ainda que haja possibilidade de apoio a povos e comunidades tradicionais, o quantitativo de recurso não está assegurado.
  10. O TFFF é o gêmeo de mercados de carbono como o REDD+ (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal +). Eles não são idênticos, mas ambos são falsas soluções que respondem à lógica de mercado, são mecanismos de greenwashing para investidores privados poluidores e desviam a atenção da luta efetiva contra o desmatamento.

Em contraste com o TFFF, os signatários defendem a construção de mecanismos eficazes contra o desmatamento que:

  • Abordem as causas estruturais do desmatamento.
  • Estabeleçam ações eficazes para a recuperação e restauração florestal.
  • Sejam suficientes, de acesso direto, sem intermediários, e provenham de fundos públicos, como os alocados a orçamentos de defesa e subsídios a combustíveis fósseis. 
  • Sejam confiáveis ​​e não dependam das flutuações do mercado de ações.
  • Sejam direcionados principalmente a povos indígenas, comunidades locais e populações que conservam as florestas.
  • Fortaleçam mecanismos de gestão comunitária e conservação para construir territórios e municípios livres de desmatamento, extrativismo e violência contra as mulheres.
  • Incluam órgãos governamentais onde os povos indígenas e as organizações comunitárias locais tenham poder de decisão real.
  • Reconhecer as florestas, os rios e a Natureza como sujeitos de direitos e implementar medidas eficazes para garantir seus direitos.

Formulário para assinatura: https://forms.gle/RaaD3Wti9KhJuUuR6

Organizações Signatárias:

  1. Global Forest Coalition (GFC) – International
  2. Rede de Trabalho Amazônico (GTA) – Brasil
  3. Asamblea Mundial por la Amazonía (AMA)
  4. Global Alliance for the Rights of Nature (GARN) – International
  5. Movilización de los Pueblos por la Tierra y el clima – Internacional
  6. Foro Social Panamazónico (FOSPA) – Panamazonía
  7. Red Iglesias y Minería – Brasil
  8. Committee for the Abolition of Illegitimate Debt (CADTM) – Internacional
  9. Centre pour la Justice Environnementale – Togo, Africa
  10. Fundación Solón – Bolivia
  11. WALHI/Friends of the Earth Indonesia – Indonesia
  12. World Rainforest Movement (WRM) – International
  13. Friends of the Earth International (FOEI) – International
  14. Fridays For Future International – International
    1. org – Brasil
  15. Corporate Accountability – Internacional
  16. Indigenous Environmental Network International
  17. Associação Alternativa Terrazul – Brasil
  18. Associação dos Povos Indígenas do Rio Anebá (APIRA) – Brasil
  19. Fórum Carajás – Brasil
  20. Teia Carta da Terra Brasil – Brasil
  21. JUPIC – SSpS – Brasil
  22. Coletivo Campesino Amazônico de Pesquisadores Amazônidas – Brasil
  23. SAF-05 Sindicato da Agricultura Familiar-CUTIAS-AP Norte Brasil
  24. Comissão Episcopal Regional para Ecologia Integral e Mineração – Brasil/Estado de Minas Gerais
  25. Comunidades Eclesiales de Base de Catamarca – Argentina
  26. Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade AFES – Brasil
  27. Comissão para Ecologia Integral e Mineração da CNBB – Brasil
  28. Associaçao de Defesa dos Direitos Humanos e Meio Ambiente na Amazônia (ADHMA) – Brasil/Amazonia
  29. UFRJ – Brasil
  30. Cosmopolíticas -Brasil/Internacional
  31. GARN Indigenous Council – United States
  32. Buen Vivir – Costa Rica
  33. Centro di Volontariato Internazionale (CeVI) – Itália
  34. FDACMA – Brasil
  35. GTA Regional Alto Solimões – Brasil
  36. Instituto Socioambiental Casa Amazônia – Brasil
  37. Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – Brasil
  38. CADTM – México
  39. Attac Argentina
  40. II Encuentro Ecosocialista Latinoamericano y Caribeño
  41. Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura – Brasil
  42. ProBios – Suriname
  43. FOSPA – Suriname
  44. Federacion De Pueblos Indigenas Kechwa Chazuta Amazonia-Fepikechaepikecha – Perú
  45. International Rights of Nature Tribunal
  46. Rede brasileira Ecossocialista – Brasil
  47. CADTM, AYNA – América Latina y Caribe
  48. Rede Brasileira de Ecossocialistas (RBE) – Brasil
  49. Irmãs de jesus Bom pastor – Brasil, sul
  50. Associação comunitária morro do pilar – Brasil
  51. Los derechos de los bosques Brasilia – Brasil
  52. Pakistan Fisherfolk Forum – Pakistan
  53. EcoEquity – US
  54. Coletivo Empatia Clarifranciscana – Brasil
  55. Corrente Socialista dos Trabalhadores e Trabalhadoras – Brasil
  56. Cimi Sul Paraná – Brasil
  57. Não ao TFFF – Brasil
  58. Groupe écosocialiste de SolidaritéS – Suiza
  59. Equipe de Comunicação SSpS – Brasil
  60. Colectivo de Coordinacion de Acciones Socio Ambientales (Colectivo CASA) – Bolivia
  61. Campaña Que Paguen Los Contaminadores América Latina – Regional América Latina y el Caribe
  62. Plataforma Latinoamericana y del Caribe por la Justicia Climática
  63. Centro de Derechos Económicos y Sociales – Ecuador
  64. Colectivo VientoSur – Chile
  65. Climáximo – Portugal
  66. Rede de Mulheres Ambientalistas da América Latina – Brasil
  67. Fundación Abril – Bolivia
  68. Grupo de Estudos em Educação e Meio Ambiente do Rio de Janeiro (GEEMA) – Brasil
  69. Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA) – Brasil
  70. Rede de Educação Ambiental e Políticas Públicas (REAPOP) – Brasil
  71. Global Justice Ecolocy Project – International
  72. Shifting Advocacy – Germany
  73. Earth Thrive – Serbia/UK/International
  74. Balkan Centre for the Rights of Nature – Balkans
  75. Protect the Forest – Sweden
  76. Climate Communications Coalition – USA
  77. Salvaginas Colectiva Ecofeminista – Bolivia
  78. Colectivo Jna Tsjo – Mexico
  79. Centro de Estudios Superiores Universitarios – Universidad Mayor de San Simón (CESU-UMSS) – Bolivia
  80. Yakutantanaku – Bolivia
  81. Heartwood – USA
  82. Rede Popular De Direitos Humanos De Rondônia (REPODH-RO) Brasil
  83. Articulación FOSPA Bolivia
  84. Organización de los Pueblos Indígenas de la Amazonia Colombiana (OPIAC) – Colombia
  85. Grupo de Estudios Interdisciplinares en Política, Administración y Derechos – Colombia
  86. Instituto Cordillheira – Brasil
  87. Ei polteta tulevaisuutta – Finland
  88. Conselho geral da tribo Ticuna – Brasil
  89. Grupo de Trabajo de Recursos Hídricos de la Provincia de Ilo – Perú
  90. Instituto Trinitas – Brasil
  91. Asociación Latinoamericana de Educación Radiofónica (ALER) – Ecuador
  92. Missionárias Servas do Espírito Santo – Brasil
  93. Rede de Solidariedade (REDES) – Brasil
  94. FASE Solidariedade e Educação – Brasil
  95. Congregação do Preciosíssimo Sangue – Brasil
  96. Serva Do Espírito Santo – Brasil
  97. Missionaria Servas do Espirito – Internasional
  98. Friends of Bell Smith Springs – USA
  99. Associação Comunitária de Remanescente de Quilombo de Brasil (ASCORQUIR)
  100. Associação Dos Produtores Rurais De Agricultura Familiar Do Entorno De Palmas Tocantins (APRAFEP – TO) – Brasil
  101. Instituto Arte Afro e Direitos Humanos Região Norte – Brasil
  102. Institute for Research & Advocacy of Borneo (LinkAR Borneo) – Indonesia
  103. Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) – Brasil
  104. Observatori del Deute en la Globalització – Catalunya, España
  105. Colectiva Consumidores Conscientes – Bolivia
  106. Bolivia Libre de Transgénicos – Bolivia
  107. Standing Trees – United States
  108. Jumu’eha renda keruhu – Centro de Formação Saberes Ka’apor – Maranhão Brasil
  109. Tuxa ta Pame – Conselho de Gestao Ka’apor – Brasil
  110. Movimento das Mulheres Negras da Floresta/Dandara – Brasil, Amazonas
  111. Colônia de Pescadores Z-2/Ro Guajará Mirim – Brasil
  112. Colectivo Voces Ecológicas (COVEC) – Panamá
  113. Instituto Madeira Vivo – Brasil, Amazonia
  114. Comitê Defensor da Vida Amazonica en la Cuenca del Rio Madeira Rondônia e Guajara Mirim – Brasil
  115. Coletivo Indigena Mura de Porto Velho – Brasil, Rondonia, Amazônia
  116. Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) – Brasil
  117. Plataforma para la Gobernanza Responsable de la Tierrac – Perú
  118. Fórum de Mulheres da Amazonia Paraense (FMAP) – Brasil
  119. Collettivo FocusPuller – Italy
  120. ICDS BRASIL Comunidade Internacional de Leigos Salvatorianos – Internacional, região Brasil
  121. A Sud – Italia
  122. Missionárias Servas do Espírito Santo – Timor Leste
  123. Centro de Integração do migrante – SP Brasil
  124. Sindicato de Obreros del Campo Andaluz – Sindicato Andaluz de Trabajadores/as Andalucía (SOC-SAT Andalucía) – Europa-Internaciinal
  125. Central Sindical Única de Trabajadores Campesinos de Guayaramerín – Bolivia
  126. Amazônia na Rua Recife – Brasil
  127. Ciencia y Chamanismo – USA
  128. Espacio de Reflexión y Cooperación (ECORE) – Honduras
  129. Pacto Ecosocial e Intercultural del Sur – Internacional
  130. Defensoras de la Vida y de la Pachamama – Peru
  131. Comissão ecologica Tocantinia – Brasil
  132. Global Tapestry of Alternatives – International
  133. Red de Acción por los Derechos Ambientales (RADA) – Chile
  134. Instituto Universidade Popular (UNIPOP) – Brasil
  135. Heartwood – USA
  136. MARBE SA – Costa Rica
  137. Rede Brasileira de Ecossocialistas – Brasil
  138. Coletivo Juntos – Brasil
  139. Rede Emancipa de Educação Popular – Brasil
  140. Instituto Popular de Capacitación (IPC) – Colombia
  141. Setorial Ecossocialista PSOL RS – Rio Grande do SUL, Brasil
  142. Frente Ambientalista do Vale do Paraíba – Taubaté, São Paulo, Brasil
  143. Himalayan Alliance for Water and Agriculture HAWA – Nepal
  144. Plataforma Boliviana de Acción frente al Cambio Climático (PBACC) – Bolivia
  145. Sahabat Alam Malaysia (Friends of the Earth Malaysia) – Malaysia
  146. Asociación Agropecuaria MISHKI MALLIY, Comunidad Nativa de Pawana Anak Nauta – Región San Martín – Perú
  147. Attac France – France
  148. É.D.EN. GUYANE – Guyane française
  149. Care About Climate – International
  150. APCOB – BOLIVIA
  151. Pastoral de la Tierra del Vicariato Apostólico de Yurimaguas – Perú
  152. Just Transition Alliance – United States
  153. Debt for Climate, Global grassroots movement of movements.
  154. Comisión de DD.HH de Limache y Red por la Superación al Modelo Forestal – Chile, Valparaíso
  155. Coordinadora de Organizaciones para la Defensa de la Naturaleza y el Medio Ambiente (CEDENMA) – Ecuador
  156. BOCINAB – Bolivia norte amazonico
  157. Galaxias Agroecologia Unicam Suri, Mocase – Argentina
  158. Comision Episcopal de Acción Social (CEAS) – Perú
  159. Be. Pe. Bienaventurados los Pobres – Argentina